1- Causos de suas empregadas
Quando éramos crianças, nós, os netos de Vovoô Pepita, de saudosa memória, nos regalávamos com suas estórias, piadas, charadas, mágicas e outros divertimentos que só nos fazim aprender coisas novas, rir e nos unirmos sempre, os irmãos e os primos.
Uma das estorias que conto sempre e que diverte muito era a da sua Serviçal Eleusina, a quem ela, por ser filha de portugues, chamava ô Rapariga!
Minha vó foi uma professora, quase auto=didata que aos l5 anos, mudando-se com sua mãe viuva de Macaé para Campo
s, estabeleceu em sua casa um colégio, onde preparava alunos para ingressarem no ensino secundário, antigamente chamado de Complementar. Isso era por volta de l906 mais ou menos.
Seus saberes eram tantos, que os alunos ao fazerem a prova de admissão ao Lice, já sabia noções de latin e francês. As adolescentes então, mergulhavam de cabeça no estudo de frances para poderem ler os singelos romances daas coleções Rosa e Azul de Mademoiselle Delly, leitura então indicada só para as maiores de 18 anos...
Certa tarde, estando com a imensa mesa do casarão rodeada de 10 alunos, meninas e meninos, a lerem suas redações em voz alta para que todos participassem de seus escritos, e ,atentos aos crivos da exigente professora, que os fazia repetirem a entonação adequada das virgulas, ponto e virgula, as exclamções e interrogações, ouve-se um alarido que vinha do fundo do quintal.
Neste quintal grande, minha avó, que era amante da terra e do verde, tinha belissimas orquideas e samambais sob um enorme caramanchão. Mais ao fundo, cultivava uma horta caseira, com os legumes e verduras do dia a dia, e, circundando o quintal todo, haviam colados aos muros, trebadeiras várias, como pés de maracujá, pes de chuchu e outras mais.
É agora que entra a participação da Eleusina. Pessoa boa, mas chucra, crédula e medrosa, e cheia de esquisitices. Veio de Macaé para campos de trem, mas aqui na idade não havia quem a convencesse a andar de bonde, onibus ou de carro. Dizia sempre: " Deus me deu pernas para andar, eu até morrer nunca andarei embarcada" E sempre foi assim até o seu final.
Mas, voltando ao alarido que interrompeu a concentração de minha avó e seus alunos: Eleusina entrou em casa aos gritos: Dona Pepita! Ai! Dona Pepita, vem cá nos fundos depressa!
Minha vó reclamou: Ô rapariga, não está vendo que estou aqui com meus alunos? Depois verei o que está havendo, ora pois!
Não! dona Pepita, tem que ser agora é horrivel!!! O que é tão horrivel assim, rapariga?
Olha só daqui da porta mesmo, dona Pepita:
A estas alturas a descontração imperou entre alunos e professora e minha avé levantou-se e foi ver a tragédia anunciada por Eleusina.
Mas tenho que dizer que Eleusina era muito religiosa, não dizia palavrões jamais. E, toda palavra que tinha a silaba CU no inicio, meio ou fim, ela substituía por BUNDA (que achava menos feio rs rs).
Apontou para todos o que havia no quintal: UMA SERPENTE DOMÉSTICA ENROLADA NO PÉ DE MARACUJÁ. Era estA a razão de seu pânico; Minha avó perguntou: e então rapariga, porque a gritaria?
Ela respondeu: NÃO ESTÁ VENDO, MINHA PATROA, TEM UMA SURUBUNDA BUNDA NUO PÉ DE MARABUNDAJÁ!!!!
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