terça-feira, 29 de novembro de 2011

Causos do IAA

Ingressei no Instituto de Açúcar e do Alcool, em 1963, aos 19 anos e era a !adolescente! da repatição. As moças mais jovens até então já tinham 10 anos de casa e variavam entre os 28 e 30  anos.  Resultado, fui uma especie de mascote e era muito paparicada por todos.
Os antigamente denominados "continuos" não sabiam o que fazer pra me agradar. Isso despertava uma ciumeira nas moças balzaquianas, umas casadas e outros ainda solteiras. O sr José Lanunci da Silva (que se dizia primo do General Lanusse ditador da Argentina) era um cidadão de boa paz, educado, generoso e prestativo.  Para todas nós ele estava sempre pronto para ir à rua fazer um mandado, trazer um chazinho feito de ervas naturais com biscoito e, até fazer (a meu pedido) um doce de banana caturra na calda.
Isso era considerado um ultraje pela mulherada, que jamais tinha recebido tantos paparicos como eu. Mas era tudo uma brincadeira combinada entre nós, para fazer ciumes à elas.
Havia a colega Magaly, minha grande amiga até hoje que era a mais queixosa de todas. Eu então, gaiata como sempre fui, para amenizar a sua dor de contovel,o resolvi dar um apelido aos dois.  Uma era Magalunci e ele Galinunci. Queridos amigos. Ele, dada a sua idade, já partiu paa além do arco-iris deixando-nos uma enorme saudade!!!!
Havia ainda o sr.Pery, já bem idoso que tomava conta da cozinha, dos cafézinhos e dos chás variados, muitos deles trazidos fresquinhos, da roça onde nascera e visitava sempre. O sr. Pery vivia me dizendo, dona Lucinha, eu nunca vi um guapo mancebo à sua espera na saida do expediente...Onde estão o moços desta cidade que deixa uma frô de fremosura dessa, sair daqui à noite, sozinha, e ir para a "Falcudade" com essa bolsa pesada e cheia de livros? Ah! no meu tempo os ,ancebos eram mais ajudativos e dedicados às suas prendas"
Já na Procuradoria, que ficava no andar debaixo, havia um funcionário que vivia escapulindo do serviço.
Um dia, já meio cansado com a demora do retorno dos processos a ele distribuido, o Procurador Regional o Interpelou: Fulano. quero que até o fim da semana todos os processos de revisão de cota de fornecedores de cana estejam informados por voce, sobre minha pesa e com justificativa pela demora.
O cidadão tratou de cumprir seu dever e, em todos os processos justivicou-se assim>"...Finalmente senhor Procurador, a demora em devolver o presente processo deveu-se a que estive ausente por 10 dias por encontrar-me combalido, alquebrado e depauperado". Escrito de proprio punho nas folhas dos processos que seguiriam para a Procuradoria Geral do IAA no Rio de Janeiro. Ficou famoso o tal colega e ganhou adeptos de justificativa tão criativa. Fez historia.
Nos dias de aniversário das Chefias, havia sempre um bolo e refrigerantes à hora do lanche com o infalivel Parabéns pra voce!
 Havia outro continuo, chamado sr. Manoel Terra que era, nos periodos eleitoras, cabalador de votos para alguns politicos. Com isso, adorava discursar em homenagem ao aniversatiante da vez.
Começava sempre assim: " Hoje, o sol nasceu mais brilhante que sempre para abrilhantar o dia de festa do nosso Chefe,  sr. Fulano de Tal, homem de coração generoso, amigo de todas as horas no cotidiano de todos os dias, peçamos a Deus que lhe guarde e demore a chamá-lo desta vida para a melhor, pois ficaremos órfãos sem a sua generosidade!!!"

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